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OS SAQUEADOS de Samuel Ornelas

Exposição

De 12 de junho de 2021 a 28 de agosto de 2021

“O Povo da Lama

Paisagens cravadas com parafusos, metal, manchas verdes de oxidação fundem-se, escorrem, anos e anos. Nomes e mais nomes entalhados, pintados, apagados, de forma maestra são realizados, de forma maestra são esquecidos. Números de nascimento? De morte? De eternidade? Uma nova vida exuberante se projeta pra luz, deixa a escuridão desta caixa de pó, se liberta pelos cantos, fendas, pequenos buracos. Poemas que celebram a saudade que teremos. Homenagens e mensagens que deixamos de dizer. Abraços e beijos perdidos. Pó, vento, folhas secas do outono. Sangue de gerações a retornar, cada João ou Maria transformados numa paisagem. Manchas presentes de um desastre escondido no silêncio!.”

A arte torna-se, obrigatoriamente, uma extensão dum movimento perpétuo, um posicionar. Num processo árduo de me reconstituir, OS SAQUEADOS é um desafio léxico que abrange dois dos piores recentes desastres humanos e ambientais no Brasil: o de Mariana e de Brumadinho. O fazer, para afirmar, que “o que cessa de aparecer não cessa de existir” (Mélanie de Salignac).

Além das obras criadas para a exposição, o projecto não se fecha exclusivamente ao tema, abre-se para ganhar novas abordagens e similaridades com a atualidade social, política e cultural, por exemplo em Portugal, através de interpretações dos artistas e educadoras convidadas: Dóris Marcos, Sara Barros Leitão, Casa da Imagem e Rapha L.

Samuel Ornelas é natural de São Paulo, Brasil. Em 2008 é Bacharel em Design Gráfico, pelo Centro Universitário SENAC - SP, onde apresentou o projeto de intervenções artísticas efêmeras - Vestígios. Completa a sua formação em gravura com Ernesto Bonato e Hannah Brandt. Teve aulas de gravura a buril com o Master Engraving João Mazzotti. Entre 2008 e 2015 integra e coordena junto com outros gravuristas um dos principais ateliês de gravura no Brasil - Atelier Piratininga, e lecionou xilogravura em diversas instituições de referência como o SESC e SENAC. Estuda na Escola de Gurdjieff em São Paulo, de 2009 até 2014. Em 2010 participa no projeto intercultural Edición Número Cero: La Habana no Centro de Arte Contemporáneo Wifredo Lam - Havana Velha, CubaFrequentou a disciplina Fauna, Flora e Meio Ambiente no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), em 2011. Em 2012 é premiado pelo Edital Intercâmbio e Difusão Cultural do Ministério da Cultura - Brasil, e é selecionado pela Fondation Ténot para uma residência artística com o projeto Vestiges no Centre D´Art - Marnay Art Centre (CAMAC), FrançaRecebe em 2014 o prémio Edital PROAC Artes Visuais pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e desenvolveu o projeto em xilogravura Tesouros da Mantiqueira, valorizando a cultura caipira da região da Serra da Mantiqueira no Brasil. Realizou os painéis em azulejos Atracar I e II entre 2017 e 2018, com a pintora Lurdes Marialva, no atelier de azulejos artísticos da AZULIMA, Amadora, Portugal. Mestre, em 2018, em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde desenvolveu o projeto de tese Sob O Som Das Gaivotas, uma simbiose entre o autorretrato e o mar, exposto no Centro de Educação Ambiental das Ribeiras de Gaia - CEAR. Vive na cidade do Porto desde 2016 e dedica-se a xilogravura, pintura e desenho.


 

Inauguração 16h30
Museu Júlio Dinis
entrada gratuita
destinatários todos os públicos
horário terça a sábado 09h30-12h30/14h00-17h00
+info museujuliodinis@cm-ovar.pt ou 256 581 378
organização Divisão da Cultura e Desporto | Câmara Municipal de Ovar
produção Museu Júlio Dinis
[exposição aberta ao público até 28 agosto]