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Exposição “Januário Godinho Arquitecto 1910-1990” na Biblioteca

 Januário Godinho Arquitecto 1910-1990” é a próxima exposição da galeria da Biblioteca Municipal de Ovar, cuja inauguração terá lugar no dia 23 de Julho, pelas 18 horas. Esta inauguração contará com uma mesa redonda sob o tema “Januário Godinho: Arquitectura no Cruzamento dos Caminhos”, com os oradores Alcino Soutinho, Domingos Tavares, Fátima Sales e Rui Tavares.

Januário Godinho nasceu no lugar do Seixo, na freguesia de Válega, Ovar, em 1910. Entre 1925 e 1932 frequenta o Curso de Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Em 1941 apresenta o seu CODA - Concurso de Obtenção do Diploma de Arquitecto, no qual obtém a classificação de 20 valores. Inicia a sua carreira profissional com Rogério de Azevedo quando este projectava a sua obra mais vanguardista: a Garagem do Comércio do Porto (1928-1932). Inicia a sua actividade profissional num período crucial do desenvolvimento da arquitectura moderna no Porto. Projecta para a OPCA-Sociedade de Engenharia de Obras Públicas e Cimento Armado a partir de 1932, iniciando a sua actividade profissional ainda antes da obtenção do Diploma de Arquitecto. Quando projecta em 1933-34, no Porto, a Bolsa do Pescado ou o Frigorífico de Massarelos revela ser o mais dotado, destacando-se dos seus pares mais próximos.

Realiza a sua arquitectura com grande domínio e deixa o País povoado com trabalhos seus, dos quais se destacam, pela procura de formas mais expressivas e mais “locais”, os trabalhos para a HICA - Hidro Eléctrica do Cavado. Na sua terra natal, Ovar, destacam-se o Palácio da Justiça, o Mercado Municipal, a Capela do Furadouro, entre outros.

Arquitecto-urbanista, arquitecto-artista, constrói um conhecimento arquitectónico profundo e vasto, que se destaca pela riqueza em tradição e vivência moderna.

A sua obra condensa múltiplas influências que vão desde a experiência expressionista à arquitectura orgânica e adopta um posicionamento metodológico-formal próximo da arquitectura sueco-holandesa, utilizando criticamente a arquitectura moderna numa linha de investigação próxima do “empirismo nórdico”. Segue A. Perret, mestre do betão armado, sobretudo na utilização do betão e na afirmação do carácter poético da construção. Paralelamente, experimenta a solução perretiana de revestimento que se diferencia do princípio racionalista da visibilidade absoluta. O revestimento é uma transfiguração simbólica e formal, o que evidencia fortes ecos da cultura bizantina, islâmica e japonesa. O próprio Wright na solução técnica que denomina têxtil-block, e cuja importância reside no facto da estrutura construtiva ser resolvida como ornamento, terá utilizado como fonte de inspiração um sistema construtivo ideado por Perret.

Uma exposição a não perder, que estará patente até 28 de Agosto, na Biblioteca Municipal de Ovar, sita no centro da cidade, a funcionar no seguinte horário: de segunda a quarta-feira – das 10h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h30, quinta e sexta-feira – das 10h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00 e sábado – das 09h30 às 13h00.

 

 



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